O véu que cai
Distraio-me no feitiço dos teus olhos, engulo a saliva em um calafrio lento enquanto se descobre. As pernas bambas mal conseguem se conter e fica difícil disfarçar, a visão embaça e toda a virilidade nas palavras cai por terra, chão. Uma gota fria de suor caminha pela nuca e desce pelas costas enquanto passo a passo teus pés mudam de direção até parar, estática, pura como a eletricidade que relatada em espasmos pelo meu corpo e devasta qualquer imposição da realidade. Levado pelo instinto de meus nervos, pelos lampejos de meus sonhos, me vejo em uma atitude descontrolada, de avanço, de rompimento das barreiras que limitam a minha sanidade ao comum. E no ataque voraz de quem clama pelo fogo, nos desfazemos nos carinhos sanguinários e mais vorazes que podemos. O que não sai pelas mãos, pela pele, pelo cheiro, sai pela boca, pela língua, pelo gemido longo e desesperado. Enquanto o quarto se contorce feito uma obra abstrata desconhecida. A solidez do regime vivido por nós neste lug...