Postagens

Mostrando postagens de 2015

Rosa

Enquanto eu contava espinhos, você colecionava pétalas, enquanto eu as regava com lagrimas, você as sucumbia com a satisfação de um sorriso, por isso tão mal criada, por isso tão bela, hipnotizantes e misteriosas, são talvez o pior reflexo da criação diante do criador. Nessas incompatibilidades, mal saiba eu que tudo não passava de mais um caso armado pelo acaso, pra me surpreender, me assustar, com as cores que fugiam da monotonia do branco ou do vermelho. E achava simplesmente incrível ver que o nome da flor, nem sempre dizer tudo sobre ela, afinal nem sempre a Maria era guerreira ou a Joana era D’arc, nem sempre a Aparecida era santa ou a Hilda prostituta. Porem o que entortava meus pensamentos era como o cheiro e a suavidade de uma pele podia me acalentar tão bem, transcender o obscuro que havia em mim, por muitas vezes um medo trazido por casos complicados e de difíceis percepções.  Teus cabelos em meu rosto me tiravam a visão e escondiam meu sorriso, m...
"O que fizemos apenas por nós mesmos morre conosco; o que fizemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal."
Numa poesia de esquina teremos viagens que não se manifestam. Um relicário escondido no ímpeto de cada um e sabe-se lá qual intensão temos de nos santificar guardando aquilo que já fomos um dia. Nesta Poesia, terei o despeito de dizer o quão silenciosa são as Liras, na orquestra desafinada que se faz da vida. sin poesía, soy inerte.

Vote contra tudo.

Imagem
Até parece que a sociedade evoluiu diante do que vemos. Tudo parece tão revolucionário, tão verdadeiro, mas nós sabemos que essa marolinha não muda nada, que ir as ruas não muda nada e sabemos no ímpeto de nossos sentimentos estadistas e comunistas que no Brasil, na verdade ninguém é de esquerda ou de direita; todo mundo está no mesmo lado e este lado é podre. Desde vizinhos corruptos, familiares corruptos a até espelhos corruptos, afinal, me dê uma chance e eu posso te corromper, pois é natural, pelo menos por aqui. No Japão, milhões de Ienes são perdidos nas ruas e estima-se que 90% das bolsas, carteiras e qualquer outra coisa que contenha documentos, dinheiro ou papeis que pareçam importantes são entregues nas delegacias de policia por todo o país. Em Toronto no Canadá, a catraca do metrô quebrou como seria possível em qualquer outro lugar do mundo, mas ao contrário do que todos imaginavam, as pessoas começaram a colocar seus cartões de transporte ou o dinheiro das passagens em ci...

Fumaça Vermelha.

De um jeito qualquer onde não haja despeito pelo conceito antecipado disparado, nos vemos de novo. Nos dias em que a terra parece desabar e os segundos conspirar para que tudo siga fora do rumo, nos vemos de novo. Eu e a discórdia, nos vemos de novo. Eu e o cansaço nos vemos de novo. Quando me olho e não me vejo; quando conspiro em busca de ar ao redor de mim mesmo e não me sinto no lugar, no lugar onde deveria estar. As vezes as escolhas são forçadas pelas circunstâncias e nos faz ir para um lugar a qual não fazemos parte. Trabalhar em prol da benevolência do destino em ocasiões tão conturbadas e poucos satisfatórias para conquistar o algo algum que conseguiria em qualquer outro lugar é hipocrisia sustentada pela necessidade. E nos vemos de novo, eu e a insatisfação comigo mesmo pelo que tenho feito. Joe Blanca

O véu que cai

Imagem
Distraio-me no feitiço dos teus olhos, engulo a saliva em um calafrio lento enquanto se descobre. As pernas bambas mal conseguem se conter e fica difícil disfarçar, a visão embaça e toda a virilidade nas palavras cai por terra, chão. Uma gota fria de suor caminha pela nuca e desce pelas costas enquanto passo a passo teus pés mudam de direção até parar, estática, pura como a eletricidade que relatada em espasmos pelo meu corpo e devasta qualquer imposição da realidade. Levado pelo instinto de meus nervos, pelos lampejos de meus sonhos, me vejo em uma atitude descontrolada, de avanço, de rompimento das barreiras que limitam a minha sanidade ao comum. E no ataque voraz de quem clama pelo fogo, nos desfazemos nos carinhos sanguinários e mais vorazes que podemos. O que não sai pelas mãos, pela pele, pelo cheiro, sai pela boca, pela língua, pelo gemido longo e desesperado. Enquanto o quarto se contorce feito uma obra abstrata desconhecida. A solidez do regime vivido por nós neste lug...