O véu que cai
Distraio-me no feitiço dos teus olhos, engulo a saliva em um
calafrio lento enquanto se descobre. As pernas bambas mal conseguem se conter e
fica difícil disfarçar, a visão embaça e toda a virilidade nas palavras cai por
terra, chão.
Uma gota fria de suor caminha pela nuca e desce pelas costas
enquanto passo a passo teus pés mudam de direção até parar, estática, pura como
a eletricidade que relatada em espasmos pelo meu corpo e devasta qualquer
imposição da realidade. Levado pelo instinto de meus nervos, pelos lampejos de
meus sonhos, me vejo em uma atitude descontrolada, de avanço, de rompimento das
barreiras que limitam a minha sanidade ao comum.
E no ataque voraz de quem clama pelo fogo, nos desfazemos
nos carinhos sanguinários e mais vorazes que podemos. O que não sai pelas mãos,
pela pele, pelo cheiro, sai pela boca, pela língua, pelo gemido longo e desesperado.
Enquanto o quarto se contorce feito uma obra abstrata desconhecida. A solidez
do regime vivido por nós neste lugar agora é solúvel, é liquida. Não é certo
nem errado e na perca total da razão, no momento do orgasmo é que teu véu cai e
nada mais é inocente ou ingênuo, exceto quem pensa que o propósito de uma
paixão não está na entrega, mas em qualquer outro lugar. Sem me controlar, te pego, te abraço e te deito em nossas
roupas para que o suspiro final seja interrompido por um beijo singelo. Meus dias são tão teus e que sejam por Deus, eternos e abençoados.

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