Rosa

Enquanto eu contava espinhos, você colecionava pétalas, enquanto eu as regava com lagrimas, você as sucumbia com a satisfação de um sorriso, por isso tão mal criada, por isso tão bela, hipnotizantes e misteriosas, são talvez o pior reflexo da criação diante do criador.

Nessas incompatibilidades, mal saiba eu que tudo não passava de mais um caso armado pelo acaso, pra me surpreender, me assustar, com as cores que fugiam da monotonia do branco ou do vermelho.

E achava simplesmente incrível ver que o nome da flor, nem sempre dizer tudo sobre ela, afinal nem sempre a Maria era guerreira ou a Joana era D’arc, nem sempre a Aparecida era santa ou a Hilda prostituta.

Porem o que entortava meus pensamentos era como o cheiro e a suavidade de uma pele podia me acalentar tão bem, transcender o obscuro que havia em mim, por muitas vezes um medo trazido por casos complicados e de difíceis percepções. 

Teus cabelos em meu rosto me tiravam a visão e escondiam meu sorriso, meu disfarce, no entanto, tirava apenas o que eu já nem precisava mais, pois ali não cabiam mais segredos nem omissões além daqueles combinados e no vão dos toques corpo a corpo, minha cama e meu jardim se assimilavam muito e principalmente ao cair da noite, quando ambos acolhiam minhas rosas, pra eu rezar uma canção de amor, suave e calmamente no sussurro de uma boca a se apaixonar por outro ouvido.

O que o luar e as estrelas não conseguiam manter, era a virilidade daquele veludo vermelho que por si só já era viril demais E como toda flor, como toda rosa, ao cair da ultima gota de orvalho na terra, suas pétalas seguiam por de trás fazendo o mesmo caminho, se debatia contra o solo, o que causava muito dor ao caule que já quase seco se curvava diante da morte, sorrindo pra ela, assim como ela sorria pra ele, deixava na cama solidão e no jardim um coração quebrado, despetalado e espalhado pelo chão, onde após a próxima chuva de lagrimas, manteria o ciclo e com certeza faria então, germinar tanto amor, quanto dor, a dor que a rosa deixou.

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